O que conseguimos ver atualmente, no geral, são
professores cansados, desestimulados e frustrados. Porque, afinal de
contas, o próprio Sistema Educacional contribui para que isso aconteça.
Paga mal e oferece pouco ou nenhum suporte para esses profissionais. E vale lembrar que as escolas particulares também não estão muito longe
dessa realidade.
Bom, mas pensar em professor, também nos faz pensar
em alunos. Alunos que fomos. Alunos que somos. Os alunos de ontem e hoje. E
consequentemente, os alunos de amanhã.
Nos meus tempos de escola, especialmente das
antigas até a quarta série, os alunos tratavam os professores de outra maneira.
Era quase uma adoração por aquela pessoa que estava ali na frente
ensinando não apenas a ler e escrever, mas a viver. Óbvio, que quando criança
essa noção de “ensino para a vida” não é clara. Mas, me lembro bem da
reverência e respeito que existia, inclusive fora das estruturas escolares.
Por favor. Obrigada. Com licença. Posso ir ao
banheiro? Posso tomar água? Sim, senhor (a). Eram algumas das palavras que
dirigíamos solenemente àqueles que até costumávamos chamar “tio” / “tia”. E até
no Ensino Médio, onde os adolescentes dominavam, esse respeito era mais
evidente. Lógico que tinham aqueles alunos mais rebeldes que davam uma ou outra
resposta malcriada. Mas, no geral, todos eram mais respeitosos.
E o que vemos hoje? Caramba. Sinto que faltam
palavras para descrever o descaso de muitos alunos com os professores. Eles
estão cada dia mais especializados em humilhar, denegrir e infernizar e até agredir a vida de quem, com toda boa vontade, se dedica a
ensinar o que sabe.
É inacreditável a capacidade que alguns têm para
fazer de uma aula uma tortura física e mental. As conversinhas paralelas que
sempre foram comuns, agora se tornaram intermináveis bate-papos. A nota final é
o foco (e com essa média ínfima que algumas escolas determinam estudar pra que,
não é?), o que os faz prestar menos atenção na aula. Cadernos e livros nem são
mais acessórios tão usados. O negócio é levar o celular para ver vídeos, ouvir
música. E a voz de autoridade do professor? Bom, isso aí virou motivo de
chacota. É isso mesmo. Chacota. Imaginem só uma sala com 40 alunos que não
param de falar e ainda tem a coragem de dizer “Ué professor, o senhor não põe
moral, por quê?”. Dá para acreditar?
Enfim, a verdade meus caros, é que não se fazem
mais alunos como antigamente. De qualquer maneira, acho que os professores
também não. Mas, mesmo assim, eles merecem não apenas homenagens padronizadas. Lembrancinhas com frases feitas que estão longe de
caracterizar o real valor que têm. Professores merecem acima de tudo respeito,
consideração e carinho. Afinal, são eles que nos dão grande parte do preparo
que precisamos para sermos os profissionais que somos.
Deixo aqui os meus singelos agradecimentos a todos
que foram meus professores. Todos eles. Desde a tia que me
ensinou a escrever minhas primeiras palavras. Até os caras, com todo respeito, que
já na faculdade me iniciou-se a minha independência de saberes . E, claro, não posso deixar
de agradecer aquela que, além de mãe, um dia já foi de fato minha professora.
Obrigada. E que o respeito volte a fazer parte da grade curricular.
Neusa Lopes ...
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